A Impostora, de R. F. Kuang
Yellowface, no título original, é um livro difícil de pousar. É tragicómico e tem suspense, o que o torna num bom entretenimento e facilmente viciante.

A protagonista June Hayward é escritora, mas nunca conseguiu fazer a sua carreira singrar, ao contrário da amiga de faculdade e também escritora, Athena Liu (Athena é de ascendência chinesa, o detalhe mais importante para o resto da história), celebrada pela crítica e com sucesso comercial. Desde cedo se percebe a inveja que June tem de Athena, não só do sucesso da sua escrita, mas também da sua personalidade mais vistosa. Athena é daquelas pessoas a quem tudo parece sair bem, e June é neurótica e procrastinadora. Uma certa noite, Athena convida June a sua casa para comerem panquecas, enquanto lhe fala do livro que está a escrever e ainda não mostrou a ninguém. Mas um acidente acontece, e naquela casa há um manuscrito quase concluído mas desconhecido do mundo. E é a partir daqui que tudo começa.
Este livro é uma crítica ao mercado editorial, à apropriação cultural, à cultura do cancelamento e outras questões dos nossos tempos. A escrita é super fluída, o que o torna numa leitura rápida. Passamos tanto tempo com e dentro da cabeça da personagem principal, que por momentos, se torna difícil colocá-la do lado errado ou certo da história. É também, a meu ver, uma boa reflexão sobre o declínio em que se entra, quando alguém quer ser maior do que ele próprio. Uma questão que eu considero que teria acrescentado mais ao livro, se tivesse sido explorada.
Já o li há uns tempos, e de vez em quando ainda penso nele. Penso que é sinal que foi uma boa leitura.




